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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Morre a voz de San Francisco

Imagem: Profimedia
Morreu aos 73 anos a "voz de San Francisco", Scott McKenzie. Desde 2010 ele lutava com uma doença que afetava o sistema nervoso chamada Síndrome de Guillain-Barre.
Quando seu antigo companheiro da banda The Journeymen e então líder da banda The Mamas & The Papas, John Phillips escreveu "San Francisco (Be Sure To Wear Flowers In Your Hair)", era apenas para promover um espetáculo que ele estava organizando, o "Monterey Pop Festival" que simplesmente lançou para o mundo os nomes de Jimi Hendrix, The Who e Janis Joplin, além de ser o embrião para o Festival de Woodstock e daquilo que ficou conhecido como o verão do amor. 
A música se tornou um clássico instantâneo na voz de Scott. Diversas bandas e cantores fizeram covers dela ou a colocava em seus shows e em filmes. E quase impossível não reconhecê-la de imediato.
Assim que foi lançado o single, em maio de 1967, ela entrou na Billboard Hot 100 em 4º lugar e assim ficou por quatro semanas consecutivas. Isso sem falar que foi a Nº1 na Inglaterra e em diversos países europeus.
Mesmo com todo esse oba-oba, Scott lançou apenas dois álbuns, sendo o último lançado em 1970. Desencanou e foi viver por uma década nos desertos californianos de Joshua Tree. De qualquer forma ou sabe-se lá porque ficar longe dos palcos, em 1986 ele entrou em turnê como membro do que sobrou do The Mamas & The Papas (lá ficou por 12 anos). Dois anos mais tarde foi co-escritor do single "Kokono" do Beach Boys. Aparecia sempre que podia cantando ou sendo convidado em alguns evento esporadicamente.
Mesmo com as idas e vindas do hospital por conta da doença, Scott mantinha mensagens para os fãs no Facebook. Um dia antes de sua morte ele postou um último poema chamado "A Última Galopada"

"Mas, Oh! Como gostaria de ser um cowboy de verdade,
com um grande Appaloosa esperando para galopar,
comigo sentado em suas costas, para dentro do deserto,
distante de minha preciosa Joshue Tree,
onde os sonhos são feitos, lindos sonhos,
mas nesse momento preciso viajar para dentro do desconhecido. 
E eu estarei de volta?
Agora eu digo não, nunca.
Oh, bem, um sonho de um sonho de um sonho num sonho.

Oh, mas os olhos de meu poderoso Appaloosa continuará soltando fogos,
e sua narinas continuarão a queimar enquanto ele transcender do fedor e da pequenez abaixo dele,
metade cavalgando, metade voando em direção ainda não marcada por nenhuma atividade anormal.

AVANTE E PARA CIMA! À TODA VELOCIDADE,
MEU BELO, MAJESTOSO APPALOOSA!
NOS LEVE A REGIÕES ONDE POSSAMOS SONHAR,
SEM SENTIR MEDO ALGUM,
SEM INTERRUPÇÕES E LIVRE PARA SEMPRE DO MEDO."

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Edson Lopes Pozzi

(frio e azul) O USGritarias ficou cousa de um mês parado por causa das férias. Fiquei longe de tudo que tivesse a ver com a internet. Aproveitei para adiantar algumas pendências e me preparava para dar uma retrospectiva do que rolou nesses tempos de ócio particular. Shows, notícias etc.

Mas veio a notícia que baqueou toda a estrutura que eu preparava. Redson, vocalista, guitarrista e fundador do grupo Cólera faleceu na noite de hoje. Uma parada cardiorrespiratória, diz as primeiras informações.

Morreu não um cara que, infelizmente, a mídia sempre deu pouca atenção, apesar da atitude pacifista, ecológica, de união que suas letras diziam. Cólera, banda seminal. Uma das primeiras e a mais velha banda punk em atividade até hoje. Mídia essa que prefere a pujança das bandas pré-fabricadas, com letras rasas, cheia de jabá para promoção de algo que não tem nada para ensinar a ninguém. Ninguém vive apenas de ilusões amorosas e bobagens infantilóides. Cousa boa parece que é negócio de otário que vive no mundo da lua falando de atitude, de união, de um futuro justo, palavras, palavras.

Redson não bebia. Se bebia, era algo raro e que nunca vi. Comida macrobiótica, tinha uma energia espetacular e que o fazia manter a banda. Promover, preparar contrato, fazer música, tocar, ensaiar, agitar ideias que ele sempre achou importante promover não apenas para aqueles que seguiam o estilo da banda, ele fazia isso para todas as pessoas. Era uma excelente figura, um piadista de primeira. Tive o prazer de conhecer o arquivo de imagens e matérias sobre o Cólera e lá, reparei definitivamente a importância dessa banda para a história da música, do estilo, da história.

Conheço não só o Redson, mas a banda (seu irmão e baterista Pierre e os baixistas Fábio e o Val) desde minha primeira organização, ainda mambembe, do primeiro show deles em minha cidade natal, Itapetininga. Isso em 1996. Um dos primeiros shows punk que assisti teve eles, Kid Vinil e outras bandas tocando no Tendal da Lapa. Nunca esquecerei como foi a recepção que a banda recebia das centenas de pessoas que cantavam com eles quase como um hino. Um cântico. 
Queríamos uma banda conhecida para tocar numa casa que nos dava um espaço nos fins de semana. Para um primeiro contato eu e um grande amigo, Reginaldo "Fejão" Montanari para Santos, que era onde eles abririam para os gringos do Shelter. Combinamos tudo e nos preparamos para uma jornada que eu nunca imaginei que renderia a amizade com o trio.

Fizemos outros shows, dezenas de reuniões, papeamos... A galera endoidava por conversar com ele tamanha sua simpatia. Era notável sua paciência contra adversidades. Raramente o vi nervoso. 

A última vez que eu o vi foi num show em Itapetininga no primeiro semestre desse ano. 15 anos depois do primeiro show lá estavam eles em cima do palco. Na pista, figuras que fizeram parte daquela caminhada maluca dos primeiros eventos. Foi como que aqueles dias voltassem por algumas horas e todos nós voltássemos a nossa passada juventude.

Não morreu Redson do Cólera. Morreu Edson Lopes Pozzi, meu amigo.



Imagens: Mauricio Capellari