terça-feira, 14 de junho de 2011

Seth Putnam: A morte do pôrra loca

(não é aquele tempo que se pode chamar de "bonito") Desde pelo menos segunda já estava na internet a mensagem de falecimento aos 43 anos de Seth Putnam, do Anal Cunt. Um ataque fulminante deu fim ao noia-mor do som extremo enquanto dormia.
Não era nenhuma novidade. Em 2004, Putnam entrou em coma e, seis meses antes de morrer de vez, deu uma entrevista para o sítio Hellbound.ca ele contou sobre esses momentos e a toda hora que o entrevistador comentava sobre os dias internado ele basicamente nem deu bola para o fato de quase morrer. Perguntado se, após os médicos receitarem anti-depressivos - achando ser esse o problema - ele tinha parado com as drogas e a bebida, ele disse: "Não. Não faço farra como antes porque não posso, mas ainda uso bastante ("dorgas")." Em outra parte perguntam se ele considerava mudar seus hábitos logo após sair do coma. A resposta: "No minuto que acordei, falei para minha mina ir buscar alguma bebida e ela não foi. Aí fiquei tipo 'deixe de ser uma cuzona e vai comprar uma bebida.' Aí disse 'Me tira da cama que eu mesmo vou' e descobri que não movimentava nenhuma parte do meu corpo. Um amigo meu, depois de dar uma passada no hospital, me levou de cadeira de rodas para um bar e tomamos um monte de bebidas. O dia mais legal depois desse foi quando eu fumei um monte de pedra. Foi a primeira vez que fumei crack depois de quase um ano."
Ou seja, um rapaz educado que procurou o que queria fazer e conseguiu achar um resultado mais condizente do que a porcaria de um coma. 
Para quem não conhece, e é bastante gente, Seth era vocalista da banda de grindcore-bagaceira Anal Cunt. Podem perceber que o nome já é ofensivo para muita gente ("queríamos ter o nome mais ofensivo, estupido, idiota etc possível") e essa não era apenas a intenção. Era o lema de uma das bandas - senão a única - mal criadas da face da Terra. Li em algum lugar que faziam parte do patamar de GG Allin, o puto-podre-escrotão do rock. No caso da banda, sua agressividade não aparecia em músculos. Aparecia nas letras.
Para ter uma ideia do estilo escolhido, o primeiro disco registrado, "Everyone Should be Killed", de 1994, tinha 58 músicas que variavam entre dois minutos e 12 segundos. A maioria segundos mesmo. (Dado: a música mais curta do mundo pertence a banda Napalm Death e se chama "You Suffer". Tem exatamente 1.316 segundos de duração). Os nomes das canções foram fatores que com o tempo ficavam mais provocativas. No primeiro disco eram, por exemplo: "Some Songs", "Some More Songs", "Even More Songs", "Song Titles are Fucking Stupid" etc. Zoavam basicamente com eles mesmos.
Passando os tempo, as tirações começaram a ficar mais pesadas: "Kill Women", "Everyone in Allstom Should be Killed", "I Hope You Get Deported", "You're a Fucking Cunt". Cada vez pior como no disco "I Like It When You Die", de 1997, que era para ser chamado de "You're Gay" e a capa deveria ter um espelho. Preferiram mudar com um desenho de uma velhinha com um andador ortopédico sendo empurrada colina abaixo e letras mais abusivas, geralmente utilizando algo da área de esportes, artes etc com o propósito de chamar alguém, ou todos, de "gay": "Jack Kervokian is Cool", "You Keep a Diary", "Recycling is Gay", "You've Got Cancer", "You Look Adopted", "You Sell Cologne", "You're Old (Fuck You)", "Ha Ha, Your Wife Left You", "You're Favorite Band is Supertramp" etc.
Quando parece que não havia mais onde ultrapassar tanta ignorância, eis que eles lançam em 1998 "Picnic of Love". 11 músicas de amor (sério!) com letras gozando tanto as canções como, por que não, eles mesmos. Os nomes são de gargalhar: "I Respect Your Feelings as a Woman and a Human", "Greed Is Something We Don't Need", "Sorry, I'm Not That Kind of Boy" e outras baba-ovo. Eles conseguiram!
Se eu disse que o próximo álbum é pior, dá para acreditar? 
Lançaram em 1999 o "It Just Gets Worse" já diz tudo. Letras didáticas como "I Like Drugs And Child Abuse", "Hitler Was a Sensitive Man", "You're Pregnant, So I Kicked You in the Stomach"...
O último disco foi "Fuckin' A", talvez uma paródia em cima do disco do Radiohead mas parece que o gás começava a acabar apesar das boas notas recebidas pelos poucos compradores do álbum
Suficiente, não? Agora, acabou as ofensas.
"Muita gente diz que eu sou anti-isso e anti-aquilo. Elas lêem minhas letras e acham que sabem tudo sobre mim."

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