quinta-feira, 3 de março de 2011

O drama Slayer

Mais uma vez o fantasma da doença aparece circulando entre os membros da banda Slayer.
Em 2006 um problema na visícula de Araya fez com que a turnê, The Unholy Alliance Tour, feita para promover o 10º álbum, "Christ Illusion", fosse adiada por algumas semanas para que o vocalista fizesse uma cirurgia. Tudo acertado a turnê foi completada sem outros riscos.
No início de 2010, nova operação em Araya. Dessa vez mais delicada já que seria um cirurgia na coluna cervical para aliviar a pressão nas terminações nervosas na medula espinhal. Araya ficou com uma placa na coluna e a impossibilidade de girar e bater a cabeça, o famoso "head banging".
Inicio de 2011. O guitarra Jeff Hanneman contraiu uma bactéria que come todo o tecido, nervos e gordura de dentro para fora no braço depois de ser mordido por uma aranha. Enquanto está fora, seu substituto é o guitarra do Exodus, Gary Holt.
Domingo passado, dia 27, na Austrália, Araya foi hospitalizado, forçando a banda a cancelar seu show no festival Soundwave. Dia 1º veio a declaração do vocalista/baixista: "Desculpem por eu não fazer o show de Sidney. Me sinto bem melhor e esperando pelo show em Melbourne (dia quatro de março)". Sua mulher, Sandra, acabou explicando exatamente o que aconteceu: "Foi uma vertigem devido a extrema desidratação e a falta de descanso.(...) Felizmente não há mais nada a adicionar até chegarem os resultados".
Em 2007 a em entrevistas diversas a banda já cogitava dar um tempo do palco. São 30 anos de atividades e algumas cousas como doenças e família a cada ano que passa parecem mais próximos do que um bando de velhos tocando como crianças, o que na minha opinião é do caralho, mas tais possibilidades devem acontecer a qualquer um. Seria uma grande pena, mas perigosamente, essas doenças podem, sim, dar um fim em uma das bandas mais agressivas do planeta.

Fato por mais que pareça mentira foi verdade.
Cheguei a ver a banda tocando apenas em1994 num daqueles momentos que marcaram para sempre minha vida. Pô, imagine. Nesse tempo eu tinha 16, 17 anos e era doido pelas bandas que tocariam no primeiro Monsters of Rock do Brasil. Todas as bandas (Slayer, Suicidal Tendencies, Black Sabbath e Kiss) ficaram instaladas no Maksoud Plaza. Fiquei a madrugada esperando a chance de tirar uma foto com algum figura de qualquer banda. 
Tempo frio. Era umas nove da noite e sai do hotel Mike Muir com cara de poucos amigos já pedindo paz e sossego. Nem fui atrás. Kiss, impossível chegar perto. Meus amigos, na empolgação, quase atropelaram o vocalista do Sabbath, Tony Martin, que saiu pelas ruas frisa de Sumpaulo. Quando chegaram próximo dele, sua primeira palavra foi: "I don't have money, I don't have money!"
Era madrugada quando naquele frio, aquela garôa fina, restava uns sete, oito gatos pingados esperando alguma chance para pegar um autógrafo com sua banda predileta, se assim fosse possível. Fiquei conversando um bom tempo com o segurança que ficava na porta do Maksoud até que ele deu uma saída. Ao voltar ele veio com uma nova. "Olha, o pessoal conversou com uns caras de banda que estão no lobby e como tem poucos de vocês, eles aceitaram dar um autógrafo. É pegar e sair fora, beleza?" Alegria geral mas contida. 
Fiquei no final da fila porque eu era o único que não queria autógrafo, queria era tirar uma foto. Foi um, foi outro, até chagar a minha vez e lá fui eu.
Nunca tinha entrado no Maksoud e nem sabia que ele era oco por dentro. Lembro de ter ficado impressionado com a tal opulência do local, enorme, luxuoso demais para minha noção de luxo. Uma cascata artificial, cacete! O segurança chegou em mim e apontou onde estavam os caras. "Vai lá". Fui.
Quando me aproximo, vejo que estão na mesa alguns membros do Suicidal Tendencies e do Slayer. De costas para mim, está Tom Araya.
No nervoso e naquele inglês tosco cheguei de mansinho e lancei um "Mr. Araya, can I take your picture?" ou algo assim. Ele se virou, me olhou de baixo para cima e, saindo rapidamente de sua cadeira disse "Sure!". Puta merda!!! E agora? Pura animação adolescente.
No desespero passo a câmera para um gringo mostrando o botão que ele devia apertar, corro e fico do lado do cara. A grande cena: os dois, eu e ele, de frente para o gringo com minha máquina. Ele me olha e, automáticamente, fantásticamente, loucamente, me dá aquele abraço e nós dois berramos em plenos pulmões para que fosse batida a foto para dar aquela típica careta de... quem está berrando, saca?
Não contive a felicidade, agradeci mil vezes o cara em português inglês e em línguas que ninguém nunca alguém chegou a traduzir ou ouvir. Fui para o ponto do ônibus com um ar de "tarefa perfeitamente cumprida" e nem me importava de esperar horas para que chegasse o primeiro ônibus do dia e já imaginava ampliar a foto o máximo que desse. Cheguei em casa, deixei a máquina em cima da TV e fui dormir.
Acordo naquela preguiça por causa do barulho que rolava geralmente naqueles tempos em casa,d e quando tínhamos banda e todo mundo aparecia em casa em todo o momento. Escuto as vozes e, escuto uma delas dizendo "Ai,ai,ai, tinha um rolo dentro!". Era o que precisava para me levantar que nem um desesperado torcendo para que o que escutei fosse alguma alucinação, viagem da cabeça, cousa de sonho. Não era.
Tentei salvar o rolo deixando ele na maior penumbra possível mas o estrago já estava feito. Mandei revelar e nada saiu a não ser um branco desfocado de tudo. Nada.
Perdi a grande foto de minha juventude mas a lembrança está aí e, se eles do Slayer decidirem dar um tempo ou acabar com a banda, mais duas cousas acontecerão: eu e muitos outros ao redor do planeta terão uma grande história para contar. A outra é que descobrimos como o tempo passa e só percebemos isso quando as datas invadem nosso baú de lembranças.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Detone! Fale o que quiser, xingue o dono, seja feliz e troque ideias