(Não, não estão) Demorei, mas não me seguro em ver essa guerra da saúde contra o direito subjetivo e da liberdade de expressão
A lei anti-fumo do governador José Serra está aí. Logo, logo, fumantes de São Paulo serão jogados na fogueira da inquisição e da vergonha. Restaurantes, botecos e qualquer lugar que não seja a rua ou a própria casa serão proibidos de aceitar no seu recinto todos que ousarem acender um cigarro, cigarrilha, charuto etc. sob pena de serem multados por fiscais da Lei e da Ordem em valores que chegam a três milhões e reais.
Na real, a ideia não chega a ser ruim. O que de fato é ruim é a forma como está sendo promovida a lei. Drácon de deve estar batendo palmas.
Sabemos o que o tabagismo faz com o corpo humano. Arrebenta tudo, destrói o homem e, para piorar, pode afetar terceiros. Coisa de doido o que uma cigarrilha pode fazer. Eu não gosto também quando a dama não pega o cocô do seu cachorro ou ligam o som do celular dentro do ônibus. Ninguém fala em repreende-los.
O que não aceito é esse rigor exagerado, essa misofobia, essa coisa de caça as bruxas aos fumantes. O pessoal fala que fumante é um doente. Doente é o fulano que acha que é assim que deve ser feito. Que deve barbarizar o cara que fuma, deixá-lo do lado de fora do, como exemplo, boteco que, no século passado, era o lar da boemia onde putas, pobres, gente rica, poetas, músicos se juntavam para promover ou a alegria ou a tristeza coletiva sem se preocupar se na sua mesa tinha negro, branco, médico, padre ou um bêbedo ou um fumante ou um traficante ou um político.
Quero ver a cara entortada das pessoas ao ver alguém pitando, achando nojento o ato, sendo grosseiras. Nisso, o homem raso é medalha de ouro. Derrotar minorias é legal contanto que não seja ele parte dessa tal minoria.
O que está acontecendo com esse mundo, esse desejo estranho de tudo ficar hermético, esse desejo exagerado de ser limpo, bonitinho, politicamente correto de um jeito impositório? Por que essa imposição não aparece quando um político é acusado de desvio de dinheiro público que poderia ser muito bem usado em escolas (ah, as tristes escolas), hospitais (idem), saneamento básico (ibidem) e, mesmo depois de tudo isso, ele reaparece feliz, ditando novas regras, novos absurdos e ganhando muito bem para isso?
Agora querem acabar com meu direito de fumar, de encher meus pulmões de fumaça alegando que estou indiretamente matando terceiros. No caso de um restaurante vá lá, mas num boteco? Num hotel? E aquele cigarrinho depois de uma bem dada? E olha que muito hotel tem quartos para não-fumantes.
Tem gente que me diz: “meu amigo, larga desse cigarro. Você vai morrer”. E quem não vai?? Não aceito acabar com meus prazeres e vícios pelo motivo idiota de prolongar a vida. Prefiro mil vezes viver pouco e feliz do que muito e nauseabundo, meditabundo, gagá.
Eu não tenho vergonha de fumar. Gosto e sinto muito prazer nas minhas baforadas principalmente numa mesa com amigos e cerveja gelada. Tenho esse direito e respeito, sim, quem não fuma. Nesse caso, o negócio não é proibir, é educar, mas educação aqui nunca foi levada a sério. É melhor ter um povo ignorante das coisas na hora de votar do que o contrário.
Eu não me esqueci do sr. Serra quando este botou sua assinatura na Folha de São Paulo para provar ao povo que ficaria na prefeitura até o fim do mandato. O poder, claro, o corrompeu e ele se mostrou mentiroso. Esse é seu governador.
Esse papo me emputeceu. Vou fumar.


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