segunda-feira, 6 de abril de 2009

Homenagem: Guerino Cicon

Internet é animal mas, dependendo da busca, uma tristeza. Minha conexão ou o Firefox não querem me ajudar nem implorando de joelhos. Fiz tudo. Até carinho.

Saiu com atraso de nove dias que Guerino "Fantômas" Cicon faleceu.

Abdala e Fantômas (arquivo Zero Hora - 66)

Muitos nem conheceram ou assistiram os chamados "telecatches", depois chamados de "Gigantes do Ringue" ou, a época que peguei, "Gigantes no Ringue". Mudança pequena mas inteligente.

Tem gente que vem me dizer que na luta livre tudo é programado antecipadamente, falso, uma marmelada. Mas, cara, tenho certeza que de uns cinco filmes de sua preferência pelo menos um é feito de ilusões e coisas fantásticas. Você deixa de gostar? Não e nem deveria porque essa é a magia, é o que faz a gente suspirar, dar aquela olhada para o céu e se imaginar no lugar. Na luta livre é assim também.

Quando mais moço, eu, para não atrapalhar o sono de meus pais e irmãos, pegava uma televisãozinha de 14 polegadas da marca Philco-Ford que nem colorida era, colocava em cima da beliche que eu dormia e assistia o programa. Vibrava e me empolgava em silêncio. Imagina querer berrar e não poder!

Um dia, Michel Serdan ia disputar o campeonato e perdeu... amigos, chorei. Chorei fininho para não chamar nenhuma atenção tamanha comoção de ver o ídolo caído no ringue. Era a tal magia.

Ver aquele monstrão chamado Fantômas era assustador mas impressionante. Apanhava e não dava um berro e, quando digo "apanhava" é força de expressão porque o cara não caia como dá pra ver nesse vídeo do youtube. O único que achei até agora.

Aliás, achar algo sobre esses tempos em que a luta livre era fenômeno na televisão brasileira não é fácil, porém, em 2007 foi lançado pela Matrix Editora o livro "Telecatch: Almanaque da Luta Livre", de Drago.

Apesar do atraso, o dia (o meu dia) ficou triste ao saber de alguém que se foi e que me fez lembrar o quanto era bom tê-lo conosco. Pena que brasileiro não dá bola pelo seu glorioso passado a não ser que seja sobre jogo da seleção, aí sabe até a escalação de cor.

Isso me fez pensar em fazer algo maior. Sei lá.

Obrigado Cicon, obrigado Fantômas

Guerino Cicon (1933 - 2009)