Atrasado com tudo como sempre mas isso não impede de eu comentar também o show do Stone Temple Pilots que rolou no Via Funchal na última quinta, dia 9.
Claro, o comentário aqui é no estilo que esse figura que escreve mais paga um pau. O estilo gonzo.
A chegada no Via Funchal para ver uma banda que tocaria pela primeira vez no Brasil, que fez sua estreia no mundo da música, meio que descolado do movimento grunge no início dos anos 90, fez um fantástico primeiro disco, o "Core", de 1992 e voltou recentemente a ativa foi meio que uma surpresa. Apareci relativamente cedo, umas 18:00 mais devido a saída do trabalho e que não seria interessante passar em casa antes.
Uma garôa fina rolava numa cidade abafada. Havia uma meia dúzia de pessoas na porta. Pouco, pensei.
Era estranho mesmo. Essa é uma banda que aparecia frequentemente nas rádios e TV, mas nos anos 9o. Scott Weiland começou a ter problemas com os excessos. Foi internado, retornou, voltou à clínica de reabilitação, saiu da banda, entrou no Velvet Revolver, mais um tempo em clínica, voltou com o STP, clínica, lançaram disco, clínica, show, clínica e a expectativa era a de ver um cadáver cantando prestes a entrar numa esquife. Talvez esse tempo com a banda parada fez sumir um pouco a força que tinham uns 10 anos atrás. Um amigo disse que a maioria viria para ver o cara do Velvet Revolver, não Stone Temple Pilots.
Vou para o guichê comprar um ingresso que custa absurdos 200 paus. Uma pena que o pessoal não faça barulho, deixe de comprar ingressos para forçar a(s) casa(s) a baixar(em) seus preços. A moça do guichê disse que eu não poderia comprar o ingresso com meu cartão de débito por causa da bandeira Maestro. Me espantei com a notícia. Oras, nos dias de hoje, uma maquininha reconhece qualquer cartão e pra quê atrapalhar uma forma que - diziam - facilitaria todo aquele trabalho e perigo de andar com dinheiro? Meu cartão "tem" dinheiro, oras!
Corro atrás de um banco, fazer o quê. Acho um numa caminhada de ida e volta de uns 15 minutos. Pago em dinheiro e recebo o ingresso.
Bem, ainda é cedo. Paro numa lanchonete, peço um misto quente, Coca-Cola e duas cervejas para não ficar indo e voltando para o caixa para me dar um papelzinho dizendo qual era o meu pedido. Muitos figuras mas de uma idade maior que a normal. Não havia muitos adolescentes. Era o que eu imaginava. Em sua maioria, as pessoas que lá estavam eram velhos fãs da banda. Gente que viveu o tempo em que o STP lançava discos regularmente. Pessoal com "cara de Velvet Underground" havia, sim, mas não eram muitos. Abro um livro para matar o tempo e sinto que sou o único ser que leva um livro para ler num concerto de rock. Um cara perguntou como eu fazia isso. Ler com barulho. Fácil - eu disse - leio com os olhos e não com as orelhas. E não havia para onde olhar muito com tanto homem por lá. Ele concorda, me parabeniza e pede desculpas por atrapalhar a leitura.
Toca o celular e um amigo me pergunta se tinha ingressos para meia. Disse que tinha de baciada porque a procura era baixa. Tive que comprar outro ingresso e correr até o banco novamente me tirando do sossego da cerveja gelada.
21:00. É bom dizer que a distância entre a casa e a lanchonete, apesar de uma reta "torta" não era próxima. Não dava para ver o Via Funchal de lá.
Chega o pessoal que espero e, surpresa! A rua está lotada de gente. Uma fila enorme para comprar ingresso. Vejo o resultado do preço caro: ambulantes vendiam o ingresso por 90 contos e não era falso. Um dos caras que eu esperava vai para a bendita fila e tem problemas com o cartão, o mesmo que eu tive, com a diferença que já são quase 22:00 e o show já vai começar. Tem que ir no banco rápido porque vai fechar os caixas eletrônicos. Vamos para a fila e... onde é que termina esse catzo de fila?
Presto mais atenção nas pessoas. Uma média de idade que ia entre vinte e tantos para trinta e tantos. Poucas camisetas de banda e estão bem vestidas. Humanos de toda a espécie perambulavam e havia até uma Amy Winehouse na parada.
Entramos na casa mas perdemos a primeira música. Sei disso porque acabei de ver o set list. E a banda que vejo não é o que esperava. Scott está com uma grande aparência e veste um terno, possivelmente da sua coleção, tem na mão um megafone e todos com um entrosamento perfeito. Era como ouvir o disco. As vozes exatas.
A sequência de músicas é matadora. Começam o show com as músicas "Crackerman" - que perdi - e "Wicked Garden" que são do primeiro disco, aí a poderosa "Vasoline" e a casa pira.
Muita gente esperava um cara simpático, que fale "bôa notche Brazil". Não. Isso é um show de rock selvagem sem frescuras nem super telões, fogos e outras merdas que fazem para os outros tirarem os olhos de alguma apresentação estúpida. Rock, "bêibe"!
Scott dança, ginga; o guitarra Dean DeLeo pula, faz caras e dá um beijo no rosto de Scott; o baixista, Robert DeLeo está de chapéu e não se mexe muito mas faz as caras e os backing vocals; o batera, Eric Kretz toca redondo. Nada de firulas.
Muitas clássicas. Cantaram "Dancing Days" do Led Zeppelin; "Plush" foi matadora quando a banda para de súbito no refrão e o povo a canta, poatz!; o que falar de "Down" e a sequência "Sex Type Thing"? Cara, que noite.
É hora do bis. Apenas duas músicas "Dead & Bloated" e "Trippin' On A Hole In A Paper Heart" e o show acaba. Palmas, reverências.
Acabei de ver outro grande show. Mais um para contar histórias e, ao contrário do que disse essa matéria, sem nenhum tipo de crise. Crise, só no limitado guichê do Via Funchal.
Como eu disse: "Rock And Roll, bêibe!"

Vamos para o próx ! MALDITOS CARTÕES !RS
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