
(choveu mas não pegou o frio) E não é apenas John Lennon o cara a fazer 70 anos se estivesse vivo nesse ano que daqui a pouco virará história. Frank Zappa também faria. Como também faria o político do PRONA, Enéas Carneiro e o músico Altemar Dutra e fez Ringo Starr e Sérgio Reis.
É fato que Lennon tem muito mais relevância tanto nos trabalhos solo como com a primeira boyband do mundo: os Beatles.
Zappa não. Não há música dele tocando na radio, tirando Bobby Brown Goes Down e muito raramente Baby Snakes. Nunca fez trabalho para as massas. O negócio é experimentação e uma ironia fina para com tudo ao seu redor: dinheiro, cigarro e nariz, isso lembrando rapidamente.
Num passado distante e coincidente, Zappa foi colega de escola do recém-finado Captain Beefheart, estudou orquestração na mesma sala que Júlio Medaglia na Alemanha.
Lançou "Freak Out!" em 66, três anos depois de do primeiro disco dos Beatles, o "Please Please Me". "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" é chamado de "o Freak Out! dos Beatles" pelo próprio Paul McCartney, vejam só.
Na contra-mão da cousa, se fez um anti-músico, um desconstrutor de melodias com uma técnica única para isso acontecer. Um único grande momento - se é que dá para ser chamado de "único" - foi o show em Montreaux em 1971, quando alguém da plateia atirou com um sinalizador no palco da banda que acabou pegando fogo. Esse momento foi imortalizado na música "Smoke On The Water" do Deep Purple.
Os Beatles acabam e cada um busca sua nova identidade musical. Lennon se transforma num ativista hippie a favor da paz num tempo "vietnâmesco"; Zappa aparece no Senado defendendo a liberdade de expressão contra os rótulos e proibições que seriam impostos em discos considerados "satânicos ou pornográficos".
Na surdina, sem exposições maiores e com um legado fiel de fãs ao redor do mundo, chegou a ser consultor do governo tchecoslováquio para negócios, questões culturais e turismo nos anos 90.
Em quatro de dezembro de 1993 Zappa dá seu adeus ao mundo faltando pouco para os seus 53 anos.
Jamais foi esquecido até nas formas mais bizarras de homenagens. Seu nome aparece na paleontologia, biologia e na astronomia batizando fósseis, bactérias, aranhas, peixes e um asteróide. Nomes de rua, bustos, festivais e dias comemorativos aparecem como homenagem tanto nos EUA, Tchecoslováquia e Alemanha.
Uma banda brasileira leva a sério o nome dele, aliás é tão sério que são considerados os únicos músicos com a benção da família e ainda recebem como convidado em diversos shows como o que rolou na Virada Cultural, o guitarrista da banda de Frank Zappa, Ike Willis: o The Central Scrutinizer Band.
Fechando: há um lançamento para comemorar seus 70 anos (se estivesse vivo) e não será aquela caixa entupida de cousas que dobram ou triplicam seu preço. Na verdade já é uma sequência que foi lançada em 2006 e 2008 com músicas diferentes, claro, o "The Frank Zappa aaa.fnr.aaa Birthday Bundle". Este com participações de Macy Gray, MMM, Talib Kweli, Holland Greco, Cloe e o baixista do Metallica, Robert Trujillo e tudo pode ser baixado pelo iTunes.
Curioso o nome? "aaa.fnr.aaa" quer dizer "Anything, Anytime, Anywhere For No Reason At All, Again, Also" ou "Qualquer Coisa, Qualquer Hora, Qualquer Lugar, Por Nenhuma Razão, Outra Vez, Também".

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