terça-feira, 12 de outubro de 2010

SWU dia 11

(sol) Já aviso que me foi caro a ida para Itu. Não pelo fato do preço das coisas, é que quase no início do Pixies me vi - novamente - sem celular. Preparei o bichinho para tirar fotos. Devo ter feito umas 30 imagens que tenho certeza que ficaram boas. Como voltei sem nada, o post fica sem foto.
Dito isso, vamos ao "Diário aberto do Alexandre" que começou ainda em São Paulo, esperando uma carona sem saber quem me daria, ou melhor, conhecendo apenas a voz do meu carona.
Era pouco antes das nove da matina. Liguei para o Eduardo (o carona) avisando que já estava no ponto de encontro. "Mas diga que carro é o seu para que eu possa reconhecer", e ele "Fiesta, vermelho".
Foi bom saber que era essa cor, já que é rotina ver carro branco, preto ou cinza na cidade. Mas é nessa hora que parece que todos os Fiestas tem essa mesma cor. Devo ter parado uns três antes dele aparecer.
Quando enfim apareceu, a conversa de imediato foi essa maluquice de dar carona para um desconhecido e de uma forma totalmente incomum, nova nesses tempos tecnológicos. Deixar um pedido de carona num sítio chamado Carona Brasil. Até uma hora da manhã o telefone tocava com gente oferecendo e pedindo carona. Uma doidera e até consegui carona para um casal de amigos.
Eduardo é um desses que você já vai com a cara instantâneamente. Sua namorada, que infelizmente não lembro seu nome, idem. Trampa num banco, vai para o SWU para ver Incubus e Linkin Park. Fomos pegar o próximo caroneiro na Santa Cruz.
A viagem foi uma conversa sem fim sobre tudo: quem éramos, o que fazíamos, quem queríamos ver, sobre outdoors, o sêo Maeda e a vida, velha vida.
Estacionamos o carro lá pelas 11h numa estrada de terra. Subia a poeira fácil, dificultando um pouco a respiração. Os portões abriram lá pelas 13h e, até chegar no local mais uma hora de longa e cansativa fila no calor que veio.
Cena pré-SWU: muita gente soube na chagada dos portões que não poderiam entrar com comida e nem bebida, então, uma chuva (na verdade, uma tempestade!) de Doritos, Trakinas, lanches embalados no plástico, garrafas fechadas de Coca Cola e gritarias do tipo "Aqui, a fome não existe!", "Bolsa Famíliaaa!", "Olha o Ruffles!", "Ê, fartura!" apareceu. Muita cousa mesmo eu estou falando.
A revista foi forte. Minha mochila foi aberta duas vezes até conseguir passar para dentro do SWU. Um puta pico gigante mesmo. De frente você já via uma torre de Heinecken como ponto de encontro. Um pouco atrás a roda gigante e as bicicletas onde o pessoal pedalava, carregava seu celular e ouvia uma música pelos fones. Boa quantidade de banheiros, cerveja por seis dineiros. "E pode aumentar", me disse um dos vendedores. Indaguei o por que e ele me deu uma resposta esquisita. Disse que, por ser seis contos e, com o tempo faltar troco, o preço aumentava. "Mas de que adianta aumentar para sete?", falei e ele me disse que baixar o preço, impossível. Pedi uma.
Fui andando. Vi o espaço para troca de roupas. Vi o palco da Oi Novo Som, o espaço onde o pessoal fazia a triagem dos recicláveis lá mesmo, um muro para o pessoal escalar, um local para descanso, outro para ganhar presentes jogando um dado para o alto, o fórum e, mais pra frente, os palcos principais.
A imagem é fantástica com nenhuma casa próxima, apenas árvores, plantações e muito verde. O dia ajudou bastante a visão.
Cara, como tirei foto...
Encontrei amigos, figuras que não via há tempos. Conversei um pouco com outros e a grande maioria veio para ver, na sequência: Incubus, Linkin Park, Avenged Sevenfold e, incrivelmente, o resto. Me senti um tio ao falar que queria ver Pixies, Queens of the Stone Age, Cavalera Conspiracy e ver que ninguém os conhecia muito bem. Vai, eu também pouco conheço as bandas relacionadas pelo pessoal.
A primeira banda que vi foi Crashdiet. Um negócio poser que me lembrava bandas dos anos 80/90 tipo Poison. Apenas engraçado de ver.
Relativamente passei a maior parte do tempo conversando, rindo, curtindo o dia. Bandas mesmo só me interessava as que queria ouvir. Menos Yo La Tengo que não reparei que tinha tocado preocupado com uma amiga que não conseguia entrar no SWU porque deu uma vacilada na entrada, se é que me entendem.
Quando o Cavalera Conspiracy entrou o local ainda não estava cheio mas o show explodia com a abertura de "Must Kill" que é uma porradaça. Lógico que tivemos momentos Sepultura com "Refuse/Resist" e "Roots Bloody Roots". A magia da pancadaria acontecia com aqueles pogos enormes.
Queens já começaram com "Feel Good Hit Of The Summer" extremamente ilícita. Show correto sem muita frescura. "No One Knows", "Monsters In The Parasol" estavam lá.
Nessa hora, logo no início da banda que mais esperava, percebi que já não tinha mais meu celular. Não dava para encontrar nem um elefante naquele punhado de gente. Para se ter uma ideia, se você saísse no começo de uma banda para, sei lá, urinar, na volta a banda estaria se despedindo. Puta caminhada.
Já estava tudo ferrado mesmo então resolvi a questão com um foda-se o celular e vamos ver Pixies que tocou o disco "Doolitle" quase inteiro.
Adoro as risadas deliciosas da baixista Kim Deal. Foi ótimo ouvir pela primeira vez as músicas que tanto cantei lá, ao vivo. Tirando as óbvias "Monkey Gone To Heaven" e "Here Comes Your Man" tocaram "Debaser", "Crackty Jones", "Velloria", "Dig For Fire", "Planet Of Sound", "Allison" e fecharam com a destruidora "Gouge Away". Senti falta de "Isla De Encanta" e "Is She Weird" mas nem me atrevo a reclamar depois do que assisti.
Linkin Park ouvi já de longe, meio que chateado com meu prejuízo mas senti que a banda não estava tocando lá essas cousas com uma voz meio cansada e parada e sem nenhuma empolgação.
Preocupado com minha carona já que não havia meio de entrar em contato logo os vi chegando com uma cara também desanimada. Perguntei o que aconteceu já que o Eduardo veio para ver justamente o Linkin e ele me disse: "Pô, perdi meu celular" e me veio com uma curiosidade estupidamente certeira: "Cara, seu sobrenome é Galvão como o meu, fez jornalismo como eu e perdeu o celular também!"
A vida dá uma dessas de vez em quando mas foi um ótimo dia, como disse, tirando o prejuízo.

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