sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Saiu o cartaz do filme do Senna

(e aí está o sol!) Fanáticos por Senna, uni-vos. A Paramount Pictures lançou o cartaz da cinebiografia/documentário do tri-campeão de Fórmula 1, Ayrton Senna da Silva: "Senna: O Brasileiro, O Herói, O Campeão". Segurem-se, é só o cartaz e o trailer pois o negócio só entra nos cinemas dia 12 de novembro.
Apesar da minha séria dúvida, começo a crer que os japoneses são mais fanáticos que os brasileiros, comumente chamados de viúvas, porque até sítio do negócio já fizeram.
Já consigo prever as cenas sensacionais do Senna como os dias no kart (Senna nunca foi campeão, sabia?), o inacreditável segundo lugar em Mônaco com a banheira da Toleman no meio da chuva, a primeira vitória no Brasil - que sinceramente foi emocionante -, a briga com Alain Prost em 89 e 90, o acidente fatal, o enterro... será que aparece o Nelson Piquet falando alguma coisa?
Quem será o primeiro a chegar na fila e gritar "o mocinho morre no fim do filmeeeeee"?

Lembranças de 94
Como toda família pré-morte-do-Ayrton, estávamos eu, pai, mãe, irmã, namorada e o cachorro na frente da televisão. Meu tio saiu com uns amigos para pescar e escutaria a transmissão pelo rádio do carro. Era a preparação da segunda largada depois do acidente de largada entre J.J. Lehto e Pedro Lamy o clima estava meio pesado.
Lembro do Senna olhando para o seu carro. Estava com uma aparência séria, estava longe, aqui que não era. Na sexta, o amigo novato Barrichello sofreu uma baita panca, no sábado faleceu o austríaco e também novato Roland Ratzenberger quebrando um hiato de 12 anos sem mortes em corridas (a última tinha sido de Riccardo Paletti, no Canadá).
Cara, eu sabia o que ia acontecer!
Senna já estava tomando um pau do Michael Schumacher. As duas primeiras corridas do ano (Brasil rodando sozinho e no Pacífico tomando um totó logo na largada por Mika Hakkinen) foram decepcionantes. A esperança no supercarro da Williams começava a ir para o ralo. A eletrônica que fez da equipe a mais poderosa do momento tinha sido banida, o carro era difícil de guiar, apesar de Damon Hill, seu companheiro, ter faturado o segundo lugar no Brasil. Ayrton não estava contente e os acidentes antes da corrida de San Marino tinham piorado.
A relargada tem Ayrton em primeiro e Schumacher atrás e então chega a Tamburello - curva de alta que já pegou Gerhard Berger (89) e Nelson Piquet (87) e outros - e a Williams vai direto para o muro. Todos levam a mão na cabeça. Eu fico impressionado mas acho que não vai dar em nada e uns dias no hospital será o suficiente. A imagem do helicóptero mostra a cabeça de Ayrton pendendo para um lado, o que até aí, comprovava o que eu dizia, mas o clima estava muito esquisito.
Chega o helicóptero de resgate que o leva para direto para o hospital. É dada nova largada mas parece que ninguém dá mais atenção e a única informação que importa é o estado de saúde do Ayrton. Acaba a corrida. Senna morreu.
Dias depois falaram que junto ao macacão de Senna estava uma bandeira austríaca.
Lembro claramente de levar minha namorada para a casa dela e o clima na rua era de silêncio e de poucas pessoas circulando. No caminho encontrei o pessoal que foi pescar. Voltaram cedo porque meu tio estava triste com o ocorrido, perdeu o pique, perdeu a vontade de pescar.
Levei minha namorada. E essa era a única notícia importante durante semanas. Fotos, histórias, teses, o povo chorando.
Nunca fui sennista, sabem. Mesmo assim fui ao enterro do Senna, dar um adeus a um cara que eu podia não gostar mas respeitava como piloto. Nada de choro, apenas uma despedida.
Uma fila longa, quatro horas de comprimento. Calor forte e gente de cabeça baixa. Muitos diziam que iriam parar de assistir as corridas, que não seria a mesma coisa e eu acreditei como os anos seguintes mostraram.
Faltava pouco para chegarmos para nosso adeus. Lá estava o caixão e acima dele a bandeira brasileira e acima dela o capacete do piloto que se foi. Ao redor, nas laterais, vi a família Senna, vi Berger, vi Prost mas vi, principalmente um fã, algo de umas 10 cabeças na frente que berrava e chorava alto "Valeu Ayrton! Obrigado cara!"
Era uma emoção muito forte, muito espontânea e real. Aquilo foi um soco na minha cara. Senti meu corpo tremer e a respiração ficar rápida. Passamos pelo caixão e eu nervoso. Lembro dessa sensação ao escrever.
Pegamos, eu e minha namorada, um ônibus para voltar para casa. Não deu.
Eu chorei.

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