Pois é, pois é. Demorou para chegar o momento de falar de grandes discos que fizeram a história desse panaca e de muita gente.
O primeiro disco dessa nova série que abro veio na mente depois de fazer um post sobre a briga do baixinho e é “Vulgar Display of Power”, do Pantera.
Pantera foi uma banda que, onde tocavam suas músicas, a galera pogava que nem doido. Era festa de criança, casamento, funeral, clinica geriátrica, qualquer lugar virava num palco e de onde aparecia tanta gente de preto assim do nada até hoje é um mistério.
“Vulgar”, o sexto disco da banda, lançado pela gravadora ATCO, em 92 fez um estardalhaço tão violento quanto o som que havia naquela bolacha no seu lançamento. 11 músicas que fariam do Pantera uma das bandas mais cultuadas do cenário e, obviamente, podre de ricos.
No disco anterior, o “Cowboys From Hell”, de 1990, a banda mostrava que havia um interesse de mudar o estilo do som, mais voltado para o heavy e meio glam para algo mais nervoso, bravo mesmo.
O disco produzido por Terry Date e capa, feita por Brad Guice e dirigida por Bob Defrin anunciavam a mudança desse comportamento.
O carro-chefe do disco era a canção “Mouth for War”. Quando foi tocada aqui nas rádios e o clipe saiu na MTV foi como se houvesse esperança de que som brutal, forte, agressivo não sumiria já que estávamos no início dos anos 90 e a onda grunge estava tão em alta que raramente outro estilo era tocado, apesar de as rádios serem muito melhores no sentido de dar espaço as novas bandas do que hoje.
Oras, Seattle estava à toda e a moda/estilo grunge tinha chegado aqui tão forte quanto a dos emos de hoje. Gostando ou não da onda grunge os discos lançados quase que simultaneamente desse pessoal não era nada ruim como o “Ten” do Pearl Jam, “Badmotorfinger” do Soundgarden, “Dirt” de Alice in Chains e o aclamadíssimo “Nevermind” do Nirvana. Todos clássicos.
Não só “Mouth for War” deixou a galera e a mídia embasbacada. Petardos como “Walk”, “Fucking Hostile” e “This Love” eram tocadas sem parar. A agressividade era tanta que o disco recebeu o selo de aviso aos pais do conteúdo das letras. O conhecido “Parental Advisory: Explicit Lyrics”. O disco chegou ao 44º lugar na Billboard 200.
Vieram para o Brasil apenas em 1994. A MTV fez uma promoção de cunho super didático. O vencedor iria junto com os componentes da banda destruir o hotel que eles se hospedavam. Amostra grátis de como era a vida ao redor desses texanos.
Um amigo estava em casa ouvindo a “antiga” 89FM e eles estavam dando um par de ingressos para o show. Esse amigo ligou do telefone de casa se comprometendo a me dar um dos ingressos se ganhasse e, ganhou! Imaginem os pulos de alegria, os berros, os copos se quebrando em casa! Mas eu estava com um vazamento contínuo de sangue na dobra de uma das pernas que até hoje não sei do que se tratava e isso dava um medo ferrenho de perdê-la.
Por pouco não fui por causa da perna, mas sabe como é, a fé nos deuses do R’N’R é maior e, chegando no Olympia qual não foi minha alegria ao ver minha perna seca, sem os tais vazamentos. “Aleluia! É milagre!”
Como nada é para sempre, em 2003 a banda anuncia seu fim. O vocalista, Phil Anselmo, monta diversas bandas, entre elas o Superjoint Ritual e em oito de dezembro de 2004, o guitarrista Dimebag Darrell leva um tiro de um fã pouco antes de começar a tocar a primeira música de sua banda, o Damageplan. Morre ele e mais três pessoas. Darrell tinha 38 anos.
Uma banda de peso. Um disco histórico que vale a pena ouvir. Só tome cuidado para não quebrar as coisas ao redor.
Pensando bem, algumas coisas são para sempre.


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